Ilmar Nascimento Galvão, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), do qual foi vice-presidente, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Federal de Recursos (TFR), ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é um jurista formado pela antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ.

Foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal para a vaga aberta em decorrência da aposentadoria do Ministro Aldir Passrinho, tendo sido sucedido pelos Ministros Carlos Ayres Britto (2003) e Luís Roberto Barroso (2012).

Nascido em Jaguaquara (BA), foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Rio Branco, reitor da Universidade Federal do Acre e professor da Faculdade de Direito da UnB.

História de Vida de ilmar Galvão

Nascido em Jaguaquara, no interior da Bahia, o ministro aposentado do STF e hoje advogado Ilmar Nascimento Galvão tem uma trajetória de vida para inspirar jovens que sonham em fazer carreira no Poder Judiciário ou na advocacia.

Órfão de pai desde os 7 anos, Ilmar Galvão foi criado pela mãe com outros cinco irmãos.

Começou a trabalhar aos 11 anos e, aos 14 anos, depois de concluir o curso ginasial, foi contratado por um cartório do município, onde se tornou um exímio datilógrafo e passou a tomar contato com processos.

Aos 18 anos, entrou para o serviço público. “O salário era 30 vezes mais do que eu ganhava antes. Então, deu para contribuir com o sustento da família”, lembra o jurista. “Deu para passar a viver com mais tranquilidade.”

Tempos depois, foi avisado por um colega sobre um concurso para o Banco do Brasil que ocorreria em Salvador. Como gostava muito de matemática e tinha bom desempenho em datilografia, Ilmar Galvão resolveu entrar na disputa.

Passou em primeiro lugar e pôde escolher em qual cidade iria trabalhar. Optou por Jequié, onde ficou até se transferir para São Paulo como funcionário do BB para cursar engenharia. Em São Paulo, teve problema de adaptação por causa do clima, em razão de uma bronquite asmática.

Decidiu, então, ir para o Rio de Janeiro para tentar novamente fazer em engenharia. Por influência do colega e economista João Paulo Reis Veloso, então secretário da presidência do BB, achou melhor cursar Direito para seguir na carreira de bancário.

“Como já tinha conhecimento de cartório e processos, entendi que o melhor seria fazer Direito”, recorda Ilmar Galvão.

Em 1953, ele ingressou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual UFRJ, onde se formou em 1963.

Passado algum tempo, foi enviado pelo BB para o Acre, onde se casou com a Dra. Terezinha Silvia Lavocat Galvão, com quem tem cinco filhos. Lá, ocupou cargos relevantes, como os de presidente do Banco do Estado do Acre e presidente do Conselho Penitenciário, além de ter integrado a Diretoria do Conselho Regional da OAB/AC.

Também foi um dos fundadores da Faculdade de Direito em Rio Branco, hoje Universidade Federal do Acre, da qual foi professor titular, diretor da Faculdade de Direito (1974-1977) e reitor.

Em 1967, ingressou na magistratura, como juiz federal do Acre. Em 1979, passou a atuar no mesmo cargo de magistrado federal na Seção Judiciária do Distrito Federal e também do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.

Em 1985, por indicação do então presidente José Sarney, foi nomeado para o cargo de ministro do Tribunal Federal de Recursos. Com a promulgação da Constituição de 1988, passou a integrar o Superior Tribunal de Justiça, onde permaneceria até 1991, quando foi nomeado pelo então presidente Fernando Collor de Mello como ministro do Supremo Tribunal Federal.

Na capital da República, ainda foi professor de Teoria Geral do Direito Privado na Faculdade de Direito Universidade de Brasília (UnB) entre 1981 e 1999.

Ao longo de sua carreira, Ilmar Galvão sempre foi reconhecido pela dedicação ao trabalho, conhecimento técnico e seriedade no desempenho da atividade pública no Poder Judiciário. Foram essas as credenciais que fizeram com que chegasse à Suprema Corte, sempre com o reconhecimento do meio jurídico e da academia.

“Ele [Ilmar Galvão] é um exemplo para as camadas mais humildes, que pensam que só chega lá quem tem posse, nome e sobrenome. A pessoa que tem determinação pode vencer tranquilamente. Ele é um exemplo”, ressaltou a Dra. Terezinha Silvia Lavocat Galvão, em depoimento ao documentário Tempo e História – Grandes Juristas do STF.